Vanka (de Anton Tchekhov)

Vanka Jukov tem dez anos. Ele não tem nem pai nem mãe. Há três meses o avô de Vanka levou-o do vilarejo para Moscou onde o pôs para trabalhar para desconhecidos.

É feriado. Todos foram à igreja. Vanka ficou sozinho. Ele pegou tinta, caneta, uma folha de papel e começou a escrever uma carta.

“Querido vovô! – ele escreveu. – Desejo ao senhor um feliz feriado. Eu não tenho nem pai nem mãe. Só tenho o senhor.

Ontem minha senhora me bateu porque eu peguei no sono quando balançava o bebê. A senhora me bate o tempo todo, e todos ficam rindo de mim. Me dão muito pouco para comer: de manhã me dão pão, no almoço papa e à noite também pão. Durmo no corredor e quando o bebê chora eu não posso dormir: eu preciso balançá-lo.

Querido avô! Me leve para casa, para o vilarejo. Eu não posso viver aqui. Aqui eu vou morrer.”

Vanka chorou um pouco e continuou a escrever.

“Eu vou fazer tudo pelo senhor. Eu não posso viver aqui. Eu quis fugir correndo para o vilarejo mas eu não tenho botas. E sem botas é muito frio. E por isso quando eu crescer eu vou alimentar o senhor. E quando o senhor morrer eu vou rezar a Deus pelo senhor, como eu rezo para a minha mãe.

“Moscou é uma cidade grande. As casas são grandes, altas, e há muitos cavalos, e os cachorros não são bravos.”

Vanka suspirou e recordou.

Quando a mãe de Vanka era viva ela trabalhava na casa de uma família rica. A senhorita Olga Mikhailovna ensinou Vanka a ler e a escrever.

Quando a mãe de Vanka morreu, o seu avô trouxe o menino para Moscou.

“Venha, vovô querido, – continuou Vanka. – Me leve embora daqui. Tenha piedade de mim. Aqui me batem e o tempo todo tenho fome. Ontem minha senhora tanto me bateu, que eu caí…

Teu neto Ivan Jukov.”

Vanka terminou a carta, e escreveu o enredeço: “Para vovô, no vilarejo”. Depois pensou um pouco mais e acrescentou: “Para Konstantin Makárovitch.” Em seguida pôs o chapéu e saiu para a rua. Correu até a caixa de correio e soltou a carta dentro.

Uma hora depois ele dormia profundamente, e no sonho ele viu o seu avô e o vilarejo.

[Traduzido de versão reduzida, em russo, por Helder da Rocha.]

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